sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carta á Angústia



Queria que você parasse de fazer sentir meu peito abrindo, sem anestesia.
Essas agulhas que sinto entrando geladas estão começando a ficar insuportáveis.
Por hora penso que vou parar de respirar, ou simplesmente desejo que isso aconteça naturalmente, que em uma das minhas poucas noites de sono tranquilas eu não venha mais acordar. Esses poucos minutos de olhos fechados são meu bálsamo quando não vêm as imagens de um passado avassalador.
Trouxe-a pra mim com tanta inconsequência, com tanta verdade que era mentira, com tanta expectativa frustrada e navios queimados.
Ai angústia, você vem tão forte quando o dia de hoje me faz questionar se cada dia do ontem teve alguma verdade, quando me faz lembrar que tudo pode não ter passado de um festival de máscaras e que ao meu redor tudo que me arde é anulado tão facilmente e em mim continua a arder. Eu queria ter a velocidade de quem me sufoca para eliminar essas agulhas e a inveja dessa velocidade é o que mais me gela a boca e me trás o aperto tão forte acompanhado de dúvidas e insônias.
Você vem pra me lembrar que por mais uma vez eu me entreguei além e que nessa intensidade que vivo mora você.
Quem sabe se meus olhos fossem mais fechados e que aquela ingenuidade que me fez te trazer a tona viesse agora pra que eu tentasse enchergar tudo normalmente e sem dores. Porque essa ingenuidade vem quando é pra enganar mas não vem quando é pra me acalmar com uma venda?
Esse arrependimento em demasia não me deixa te expulsar daqui.
Queria que não me apertasse mais em cada descoberta da sequência da vida.
Eu realmente gostaria que você fosse embora e quem sabe fosse visitar alguém, porque só você pra fazer entender tanta coisa.
Sou extremamente egoísta e não queria essas farpas somente em mim, pelo menos para que eu tivesse a tranquilidade de reconhecer algum reconhecimento.
Por favor, vai embora. De tantas agulhas, vai chegar uma hora que não vai ter mais espaço.
Não me leve a mal, apenas visite mais alguém e leve adiante os olhos abertos que você me trouxe.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A morte da Florzinha de Jesus



Geralmente, mulheres fazem três coisas na igreja: cantam, dançam ou participam do "grupo de mulheres".
Não estamos acostumados a incluir mulheres em rodas de conversas que exigem o uso do cérebro, resolver assuntos sérios, processos decisivos ou falar sobre temas considerados tabu para mulheres, como sexo e solteirisse.

O preconceito de gênero, que vai dos mais moderninhos aos mais tradicionais, acontece explícito ou mascarado em atitudes pequenas.
É comum em casos de pecado sexual na igreja a mulher ficar taxada de piranha e o homem de vítima. Ela é a pomba-gira e ele o atacado, afinal, "homem tem a carne mais aflorada, tadinho". Se uma garota de 15 anos falar para sua pastora que pratica masturbação, é caso de libertação! E se a igreja fica sabendo é provável que a pobre coitada nunca mais vá arrumar um pretendente ali e se arrumar, o cara vai ser observado durante todo o namoro porque vão ter medo da profana atacá-lo. Agora se isso acontece com um garotinho, todo mundo se comove e ora pelo irmão que está sendo tentado pelo diabo...

Até quando a mulher vai ser uma coadjuvante quase inexpressiva na igreja?
Até quando até mesmo os mais ditos "liberais" vão continuar mascarando seu preconceito e medo de mulher?

Sempre quando a solteira arruma um namorado ela ganha mais importância, por que?
Creio que muitas de nós, mulheres, estamos cansadas de reuniões cristãs femininas que são apenas um curso de dona-de-casa disfarçado com adjetivos como "princesa de Jesus". Uma pessoa de 20 anos não quer saber se o marido vai querer vê-la arrumada quando ela ainda nem pensa em casamento, a realidade é outra. Queremos falar de sexo, de profissão, de problemas reais como pessoas reais que somos independente de gênero!

Quantas vezes a igreja despacha um talento em alguma área que pensam ser masculina para o grupo de dança ou para tentar tocar teclado no louvor?

Ter amizade não é sinonimo de se agrupar apenas com pessoas do mesmo sexo,
decisões seriam muito mais bem tomadas caso houvesse o consenso da racionalidade masculina com a emoção e perceptividade feminina,
grupos de amizade muito mais sólidos se não fossem tão monopolizados.

Dos pensadores que você admira, quantos são mulheres?
Quantas mulheres são conhecidas por estar no mesmo patamar de intelectualidade e relevância que homens?
Homens, não tenham medo de ter uma mulher no seu grupo. Líderes não tenham medo de colocar uma mulher em cima do altar para falar (mesmo que seja solteira).
Mulheres não são apenas dona-de-casa, bailarinas ou cantoras. Isso é o que a bíblia ensina, mas que a cultura preconceituosa/religiosa, anulou.


*ps1: Não tenho nada contra balirarinas, cantoras e dona-de-casa, apenas contra o monopólio e quando fazem isso por falta de opção e obrigação.
ps2: Meus parabéns a 2 mulheres que estão se destacando e conseguiram ter a relevância geralmente masculina: Bráulia Ribeiro e Andréa Vargas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Valores vs Momentos



Não é tão difícil entender porque valores não é sinônimo de moralismo.
Eu sempre tive meus princípios, valores e a palavra de Deus gaurdados comigo e por muito tempo achava que eu conseguiria mante-los intocáveis. Coisa que não é impossível, mas eu não consegui.
Princípios, valores e a palavra de Deus são eternos, momentos são passageiros e por esse motivo é burrice negociar as únicas coisas que de fato tem valor na sua vida, independente de época, idade ou situação.
Momentos, sentimentos, relacionamentos, são passageiros e vulneráveis e estão sujeitos a mudanças a qualquer momento, diferente dos princípios que são imutáveis.
A partir do momento que você abre mão do que é eterno para realizar o momentâneo uma hora ou outra vai vir junto um arrependimento fulminante.
Arrependimento é virtude, mas as vezes vem acompanhado de dor de cabeça, gastrite e uma sensação de não se perdoar terrível, ainda que você saiba que Deus sempre te perdoa.
A falta de auto-perdão é um dos maiores martírios e uma das maiores dores que um ser humano pode sentir. Reconhecer uma burrice, reconhecer que foi negociado algo de muito valor por uma coisa tão barata e passageira é muito dolorido.
Por mais que no momento você se sinta bem com o que o momentâneo aparentemente te oferece e te conforta, quando o momento passar, não vai sobrar nada, só o arrependimento e algumas lições de vida acompanhada de cicatrizes.
E nem sempre precisa de cicatrizes pra aprender alguma coisa.
Acredite que olhar pra trás e falar "já era", nem sempre é tão agradável.
Se você quebra um diamante, você pode até junta-lo novamente e forma-lo outra vez, mas ele nunca mais vai ser igual, as rachaduras vão ficar lá pra sempre, visiveis e irreversíveis.

Nunca negocie seus valores. Principios são eternos, momentos são passageiros.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Formspring.me

Pessoas gatíssimas do meu coração,
Ali do lado agora tem uma box para vocês me fazerem perguntas via formspring!
Detalhe que eu não vou responder nada que eu não tiver afim e de preferência, coisas úteis, porque minha vida pessoal cabe a mim e só respondo alguma coisa relacionada a isso se eu tiver muuuuuito afim!
portanto,
PERGUNTEM COM MODERAÇÃO!

A Fábula do Porco-Espinho


Durante a Era Glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos. Assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso, decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados.
Então precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam, assim, a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
Dessa forma, puderam sobreviver.


Moral da História :

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas,mas aquele no qual cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

"A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.(...) já que a vida é repleta de momentos incertos." (Neruda)



*via:
http://guaranahplimplim.blogspot.com/2009/11/fabula-do-porco-espinho.html

domingo, 4 de abril de 2010

tempo



Durante muito tempo não tive tempo de olhar pra mim. Já faz tanto tempo, mais de ano, que não vivo a Amanda, mas vivo uma outra pessoa, sem muito intervalo. Já faz tempo que não sei mais como é a Amanda plena.

Vi que é necessário viver um tempo pra mim, sem depender de ninguém, só de Deus. Exercitar essa dependencia jogar nos braços dele as minhas carências, dores, problemas, desafios, barreiras. E quantas vezes eu nao errei por precipitar ao invés de confiar no colo Dele?

Eu já tinha esquecido a importância disso pro resgate da minha identidade e pra minha plenitude de vida.

O tempo faz tanta coisa que chega a me assustar, leva embora, tras de volta, põe amor, põe ódio, conserta a vida, desconserta.
E além de tudo, o tempo é mestre em nos fazer quebrar a cara, seja pro bem ou pro mal. Só ele mostra verdades, mostra fatos, confirma verdades, revela caráter, e talvez seja por isso que ele também me dá tanto medo.
Percebi que se eu for viver a me deixar afetar em demasia pelas consequencias e verdades do tempo, eu vou parar de viver o momento, o minuto.

É bonito dizer, "deixa cair", "o que tiver de ser será", "pode vir o que vier", mas viver isso não é tão fácil quanto dizer, mas é o único jeito.
Agora eu quero um tempo pra mim e pra viver pra Deus, apenas! Desapegar, desprender, não me prender, o que tiver de vir, vai ser consequencia de olhar pra Deus primeiro e tudo mais me vai ser acrescentado.
Junto com todos os medos, enigmas e fatos do tempo, ainda tem a correria do dia a dia, a vida de gente grande e não tem me restado nem aquele tempo de sentar no colo de Deus e chorar tudo que eu tenho pra chorar, falar tudo que eu tenho pra falar e escutar tudo que ele tem pra me dizer. Mas agora o que eu mais quero e preciso é só disso...
To com tanta saudade da Amanda, de ser 100% a Amanda sem faltar pedaços. To com saudade de ficar eu e Deus de mãos dadas, porque ele ama e aceita a Amanda do jeito que ela é.


Hoje acordei cedo (não to entenendo eu acordando cedo) e lembrei dessa música, que eu escutava quando eu era criança mas que se encaixa tão perfeitamente ao meu momento, pena que não achei video ela, mas vale a pena baixar, é uma música muito gostosa que me deixou total refém dos braços de Deus nesses ultimos 3 dias.


"Não tenho tido tempo nem pra me dizer
que estou sem tempo pra mim,
Sem tempo até pra olhar pra cima
A criatura olhando o criador.
O tempo passa como nuvens
que com o vento se vão,
que se aquecem e caem
molhando a terra, regando o chão
Gerando vidas, regando a terra

O tempo apagou histórias
Culturas, rancores, as cores, amores
Discursos que fiz,
Apagou de mim
Apagou de ti
O tempo só não conseguiu apagar
o Teu amor por mim, Jesus.."
(cia de jesus - tempo)

sábado, 3 de abril de 2010

Uma obra, com valor.



Um vaso que já se achava muito bonito, decide refazer-se para agradar a vontade do oleiro que já não se agradava mais das suas formas. Começa então a quebrar-se aos poucos, até que se quebra totalmente e começa a se refazer com muita dificuldade, num processo difícil e minucioso e que por muitas vezes tem que ser feito e desfeito vez após vez. Nesse processo, por várias vezes o vaso lembrava-se que já se achava tão bonito, porque ele estava passando por aquilo tudo? Pela vontade de fazer satisfeito o oleiro, oleiro que sempre queria um pouco mais de perfeição, e o vaso que apenas queria agradar o oleiro que ele tanto apreciava. Quando o vaso já estava quase ficando pronto, depois de tanto ter sido quebrado, refeito, desfeito e refeito outra vez, passado pelo fogo, e finalmente quando estava nos detalhes finais, na pintura, na finalização daquele processo tão dolorido, o oleiro resolve não esperar mais o término daquela obra tão árdua e compra um vaso pronto. Ele olhou e viu que era muito mais fácil ser imediato e que parecia não valer a pena esperar mais aquele vaso que tanto fez, tanto quebrou-se para agradar a ele.
O vaso, no processo final foi descartado e substituído por aquele aparentemente pronto.
Talvez o que mais doeu naquele vaso foi ver todo o seu esforço jogado fora. Tudo que ele tinha dado tudo pra ser, em outro vaso que nada fez pra conquistar. Todos os seus sonhos dados a outro, bem ali, na reta final.
O que o oleiro não sabia, é que com todo aquele esforço dolorido pelo qual o vaso tinha passado, ele formou formas e cores únicas, fruto de toda a experiência que aquele vaso que parece pronto, jamais vai ter. Todas as formas e cores, projetadas exclusivamente para aquele oleiro, reconhecidas com um tajeto enorme, que se adaptariam não somente as necessidades imediatistas do oleiro, mas que seria útil para ter um valor além, um valor extenso e honrável que só aquele que foi quebrado, refeito e passado pelo fogo, pode ter.
Talvez esse vaso agora, conclua-se, transforme-se em uma grande obra fruto de tanta história e quando o oleiro, depois de muito tempo, vê-lo em um belo lugar, nas mãos de um belo colecionador de vasos, aquela obra feita com formas e detalhes, projetadas com tanto esforço e dedicação á ele, ele veja que tenha perdido a obra mais preciosa de sua vida.

O que tem mais honra e valor? o que dá o a vida pra conseguir ou o comodismo pronto?