terça-feira, 23 de novembro de 2010

O abandono das 99


"Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?" (Lc 15:4)

É incrível como a igreja institucional prefere sempre os santos que oferecem segurança a placa denominacional. A auto-proteção interna da proíbe a igreja de ser de fato igreja, abrigar e socorrer aqueles que realmente necessitam: os estragados.
O próprio Deus sabe o quanto é difícil para o ser humano entender a necessidade de sair da área de proteção em prol de quem precisa, e dentro disso ele resolveu ser didático e utilizar parábolas, como a da famosa ovelha perdida. Por acaso em algum momento o pastor menospresou a tal da "ovelhinha rebelde" que resolveu fugir do rebanho e ir cuidar das 99 "ovelhas boazinhas"? Não.
Mas infelizmente é isso que vemos, quando alguem desagarra do rebanho, a igreja abre mão do seu papel de corpo e expurga-o.
Deus veio para os cansados, oprimidos, estragados, feridos, sujos, excluidos e não para quem está são.
É triste ver quando a igreja deixa de socorrer alguém porque esta pessoa não está mais com a pele limpa. Ao invés de cuidar e limpar, ela prefere que suje mais, machuque mais, e porque isso?
Se a igreja pode entregar uma cesta básica para uma família não-cristã carente, porque não pode ajudar uma família com um membro "desviado" que também precisa de ajuda? Talvez porque faça mais bem para a fama filantrópica da igreja, talvez porque querem se proteger de quem não oferece tanto benefício á imagem da placa da denominação.

Se querem ser igreja, sigam o conselho do próprio Jesus: Deixem de lado suas 99 ovelhas e criem coragem de socorrer aquela que por mais que tenha errado em se apartar, está ferida.


Referências:


Lucas 15
, Tiago 1:27, Mateus 11:28, Mateus 25:35-40

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre o episódio que ocorreu com minha família - Casa Roubada

Alguns estão perguntando e para ninguém ficar sabendo de assunto distorcido, vou contar aqui o episódio que aconteceu com a minha família essa semana.

Estamos de mudança, porém a casa está em reforma o que está fazendo com que a gente fique fora de lá até que conclua tudo. Por estar na última semana de reforma, o pedreiro (de uma construtora conhecida, que já havia realizado trabalhos pra minha familia inclusive) mudou-se pra obra para finalizar, a mudança toda já tinha ido pra lá.
Fomos surpreendidas com a notícia que a casa INTEIRA tinha sido roubada, e que o pedreiro havia levado tudo em um caminhão durante a madrugada. TUDO foi roubado, roupas, móveis, eletrodomésticos, enfim, tudo que juntamos e construimos em anos, fora que muito era recordação e herança de gerações. A polícia já está por conta do caso, mas provavelmente muita coisa (se não for a maioria ou tudo) já foi "lavada".

Ainda não fazemos a mínima ideia de como vamos fazer daqui pra frente e como vamos reconstruir tudo, principalmente financeiramente e materialmente falando.

Não sou o tipo de pessoa que tem muita expectativa, não divulgo problemas pessoais e familiares, não gosto de dramas e prefiro não pensar muito em "leites derramados" o que facilita bastante a encarar as coisas, mas até pra pessoa mais "dura" do mundo, saber que sua história foi roubada, dói, por ser impossível de ser apagada e por envolver toda a sua vida.

Creio em um Deus que restaura, não só financeiramente, e se Ele permitiu que isso tivesse acontecido, é porque teve propósito, mesmo que na minha mente pequena, eu não venha entender por enquanto.
Creio também que a palavra de Deus não é mentirosa, portanto, Deus protege, então se de certa forma fomos atingidas ai, é porque Deus quis nos proteger de algo maior, isso não foi um abandono da proteção de Deus, e sim uma proteção além do que podemos entender a proporção... por enquanto.

Claro, minha mãe solicitou ajuda de muitas pessoas e principalmente da igreja para nos ajudar nesse momento, não tenho muita expectativa nisso, mas igreja, vamo ser corpo um pouco? E quanto aos amigos que já estão dando força, obrigada mesmo!
Queremos e precisamos de ajuda,
em oração e na prática!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sinto falta da igreja



Eu sinto uma falta enorme de algo que já fiz parte: a igreja.
Não me refiro a um prédio com altar e cadeiras, muito menos á figuras hierárquicas, me refiro a igreja ao pé da letra, o congregar, a comunhão, aquilo que nos faz chamar uns aos outros de irmãos, onde existe sentimento fraterno.
Minha igreja verdadeira foi na casa de amigos, dançando com o som do computador ligado, jogando alguma coisa, chorando no sofá no colo de alguém ou podendo ter quem me repreendesse ou me apoiasse.
Sinto falta dessa igreja. Tudo ali era de verdade, pessoas de verdade, problemas de verdade e o mais intenso era aquele sentimento de família. A igreja era minha família. Não os via como amigos simplesmente, fazia muito mais sentido chama-los de irmãos.
A partir dessa perspectiva, entende-se o que é a igreja que pra muitos fazem sentido. Não aquela coisa institucional, firmada em tijolos, demagogias e rituais. O culto de domingo era só mais uma celebração onde eu via ainda mais gente, aprendia e depois voltava pra compartilhar tudo aquilo com meus irmãos, fazia sentido pra gente, aquilo que na bíblia diz como "um só corpo". Sinto falta de quem e o que me edifica e me fortalece de verdade.
Mesmo em meio a minha falta e vontade de ter isso tudo de novo, em um momento, não encontro caminhos para voltar para essa igreja verdadeira. Cada irmão foi para um lugar, caminhos diferentes e alguns erros de deixar situações e pontos de interrogação tomar uma proporção maior que deveria, decepções, cicatrizes e feridas ainda doloridas causadas pela instituição e pela religião. Isso acontece/aconteceu só comigo?
Volta igreja, volta para que eu possa voltar pra você.
Nada ocupa o buraco que a falta da igreja me deixou, se a igreja é corpo, eu me sinto como um membro abandonado, ou um corpo desfalcado e não há nada que possa suprir isso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

...Off by heart

The stars are aligned, but they don't align for us.
Excuse me for I am the ocean, and I will starve for you.
Will you know how to stay brave?
Such fragile moments we share,
You are my everything...
Even with nothing to say.

(city and collour)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Descanso

Me diz qual é a hora pra eu descansar um pouco de tudo.
A noite me cansa e eu quero acordar cedo no domingo pra não perder o ultimo dia antes da segunda, porque eu gosto de acordar sentindo o cheiro do café.
Me diz onde você vai estar amanhã pra eu não ter que procurar pela cidade inteira, não diz que vai ficar em casa,

como é que a gente vai se encontrar e descansar das noites frias de sexta e sábado na rua?
Já cansei de fingir que nao me canso de te esperar.

Eu vou te achar de tarde quando eu menos esperar, você nao se preocupe se está sozinho por muito tempo que eu sei que também tem alguem te procurando, só espero que não demore pra que se encontrem
e eu também estou esperando achar o meu descanso.

- Um Navio (banda aqui de Udi! a musica tá aqui)

Cais ao meus navios


Não acredito que seja tão assustador querer só poder deitar no travesseiro, no meu travesseiro, e dormir em paz, sem pensar em suposições ou em medos.
Ter toda a segurança de ficar um sábado em casa.

Queria estabilidade. Queria dormir com um rosto do lado que eu soubesse que seria o mesmo na semana seguinte, o mesmo semblante.

Queria não estar cansada, que o que me da descansos momentaneos fosse um descanso de fato, e não uma falta de paz subjetiva.
Eu queria ser o descanso do meu fardo,
mas um navio que não se tem nem se quer rumo, não pode ter um porto seguro.
Ao menos, dê porto aos meus navios.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

ensaiando paciência

Eu não sei da onde surgiu em mim uma espécie de paciência. Não sei se paciência é uma palavra certa, sempre questiono se uma pessoa ansiosa (como eu) pode ser ao mesmo tempo paciente, mas em mim, não sei como, existe essa confluência.
Derrepente comecei a segurar palavras, levar desaforo, engolir á seco e até fingir de boba.
Quem sabe isso seja uma confissão, frustrante para alguns, e confesso com um pedido de desculpas, mas preciso dizer que não sinto sempre aquilo que exteriorizo.

Não ando suportando tanta cara, aguentando calada e com um sorriso dissimuladamente inocente pessoas que juram que não sei o quanto falam as piores coisas ao meu respeito.
Essa paciência auto-flagelante me surpreende ás vezes, a ponto de aguentar até acordar constantemente do lado de alguém que eu sei que no mesmo dia pode virar o jogo e acordar com outra pessoa. Fingir que não vejo certos olhares e chegar dançando perto de quem eu vi que acabou de me olhar com desprezo.
Sim, eu vi todos os comentários, sei de tantas coisas faladas, histórias aumentadas, aquelas rodinhas de casos falsos, o que você diz para sua amiga, de beijos distribuídos á outras bocas por boca que beijo sempre, do que você disse sobre mim noite passada, mas e aí? O que esperam que eu faça? Morra, chore ou fique em depressão? Não... não sou disso, definitivamente. Aprendi que se for pra sofrer e preocupada, que seja por algo útil, e se não há nada a ser feito, se não se pode fazer nada. ignore, e se encher o saco ou começar a colocar sua honra em jogo, foge.

Talvez toda essa paciência se dá pela falta de paciência que eu tenho de criar casos chatos, gente gritando, olhar tordo, pessoas dividindo-se.... tenho uma preguiça incontrolável disso e essa preguiça é que me faz optar por parecer para alguns, ás vezes, a pessoa mais inocente, lerda, boba e cega do mundo.
Cada nome que está ao meu lado quase sempre, todo fim de semana, e eu cansada de saber de todos os olhares e palavras que eu teimo em ficar calada e fingindo a maior das inocências por pura falta de vontade de criar casos que eu considero chatos e desprezíveis.

Mas para contrabalancear essa "virtude" paciente, eu tenho uma enorme falha, me canso fácil de coisa que se torna chata. E rapidamente certas coisas se tornam chatas, perdem o sentido e enche o saco. E aí fica a espera, de quanto a pessoa aparentemente mais paciente do mundo vai se cansar disso tudo, derrepente.

Eu sou assim, derrepente eu sumo, paro pra pensar do nada, vejo cenas que me enjoam engolidas á seco, me canso e depois de tudo ou finjo que tá tudo bem ou coloco ponto final. O problema é que em tudo eu nunca sei quando vou fingir que está tudo bem, ou quando vou colocar o ponto final.

Desculpem-me os que sempre me acharam um doce de pessoa simpática e tolerante que não percebe nada, mas confesso aqui que a parte do tolerante e simpática pode até ser, mas não sou tão legal quanto parece e o que eu sinto por muitos não é tão doce e simpático quanto os muitos abraços que tenho dado.
" Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim? "

Tati Bernardi

terça-feira, 13 de julho de 2010

A Cura

Dead Fish

Dois mil anos mais, apenas por termos fechado os olhos algumas vezes, até quando culpar?
Sublimar o que é ruim, apontar o dedo assim, acreditar na redenção.
Se o pior está aí não posso estar em seu lugar, certo demais! puro demais!
Vidas fogem ao controle com as armas os beijos, carregados de seus pecados, frágeis,intensos.
Se deleguei o meu poder, controlado controlar, toda dor será prazer.
E todo orgulho esconderá que me mato em você.
A razão da vida é. E toda dor e todo prazer e todo sexo e poder e nos discursos feitos pelo bem.
Onde errei!?
Quantas vezes vamos desistir?
Quantas vezes omitir?
Culpar por culpa, curar sem cura.
E se em dois mil anos eu me curar?

E você...
já não estiver mais aqui.

Nada esperado, nem desesperado

"Deu vontade de ficar mais tempo junto, deu vontade de levar essa história até o fim - e eu não tenho a menor idéia do que você pensa a respeito, a gente não conversa sobre isso, só fica fazendo uma linha nada-tem-muita-importância, ou algo assim.
Esperar dói. Esquecer dói. Mas não saber se deve esperar ou esquecer é a pior das dores."
(Caio Fernando Abreu)

Me estranho nessa tranquilidade que estou, talvez eu tenha realmente tenha conseguido condicionar esse músculo que eu tenho dentro do peito esquerdo ou porque acredito piamente em mais uma frase de Caio Fernando:
"Não há nada a ser esperado, nem desesperado."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Resumo da minha semana

O resumo da polêmica dor de cabeça que me ocorreu essa semana estão nestes 2 posts (que eu fiz a pouco tempo atrás), que são letras de música que tiram palavras da minha boca e complementam minha opinião. Vale a pena ler, inclusive antes de comentários.

- Manobristas de Homens

- Falso

Queda Livre

(Dead Fish)


Quando eu cai e beijei o chão, vi em seus olhos algum brilho de prazer.
Rastejei por algum tempo, entenda: isso foi muito bom pra mim!
Pude encarar minhas verdades, de frente pude ver o quanto posso errar, falhar e ver que pode ser muito natural.

Você é covarde demais pra entender o quanto é intenso!
Agora todos os extremos,
Insistir que o erro é dos outros!

Você devia vagar sozinho por aí e pela escuridão e perceber, e realmente ver que existir é muito mais.
Ainda me sinto tão cansado, mas sei, sou muito mais forte.
Já sei o que é estar só, estou pronto pra me levantar e caminhar em sua direção.

Você é covarde demais pra entender o quanto é intenso!
Sei o que é o fel e o mel, ao contrario do que pensa você.

Sim, você ainda pode me vencer, mas você sabe que não vou desistir,
Já provei do seu sangue em minha face, a dor já faz parte do total.

O tempo já não me importa mais, pois ainda estou aqui!
Aceite, estou aqui.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Exclusão por falta de máscara

Uma certa igreja na minha cidade, cedeu o espaço para que um político viesse responder as perguntas do povo sobre seus planos politicos e apresentar sua campanha. Como me interesso muito por saber o que candidatos pretendem e tenho mania de pesquisar tudo sobre eles, achei interessante a possibilidade de ter um contato mais proximo com esse candidato e até mesmo fazer algumas perguntas.
Havia muito tempo que eu não ia naquela igreja, queria muito ver as pessoas, como estava a estrutura do lugar e matar demais saudades. Quando cheguei ao local, a primeira coisa que falaram era como eu estava exagerando nas minhas tatuagens e aquele certo olhar de horror em cima do meu braço recém tatuado, disseram até para minha mãe que eu estava "esculachando" com essas tatuagens e com meu corpo. Eu estava usando um short jeans, uma regatona branca e meus velhos tênis Vans um pouco sujos do dia a dia (visual considerado de "extrema vulgaridade"), meus visual de sempre, e que consequentemente deixa quase todas as minhas tatuagens expostas. Até ai, nada fora do que uma pessoa com cerca de 15 tatuagens está desacostumada, quando fui entrando ao local, um pastor da igreja acompanhado de uma pastora, puxaram minha bolsa e seguraram ela dizendo que "daquele jeito" eu não podeira entrar na igreja, que eu deveria colocar uma blusa de frio por cima porque se eu não fizesse isso eu estaria desrespeitando os "irmãos" ali presentes, que eu não estava em condições de entrar naquele local com meus visual atual. Após algum tempo de discussão em vão e eu tentando dizer que não colocaria nenhuma máscara pra entrar na igreja, resolvi ir embora para evitar maiores conflitos.

Caso contado, digo o que senti e minha opinião sobre o assunto, falando inclusive sobre as opiniões alheias posteriores ao fato.
Vou colocar alguns pontos:
- Quando esse tipo de preconceito acontece fora da igreja, os crentes são os primeiros a falar que isso é um absurdo e que a igreja deveria acolher quem é vitima disso, mas não foi bem isso que aconteceu.
- Não acho que só porque aconteceu na igreja eu tenho que por pano quente não, isso é hipocrisia e farisaismo. Máscara. Se é na UNIBAN todo mundo pode falar horrores, se é numa instituiçao religiosa tem que ficar quieto? Por que?
- Preconceito é preconceito em qualquer lugar! Em escola, na padaria ou na igreja. Pré-julgamentos são pré-julgamentos independente de local.
- Não é porque eu tenho 50 anos ou 5 dias de igreja que eu me sinto menos ofendida com esse tipo de atitude, se sentir mal diante de um absurdo desses não depende de quantos anos eu frequento a igreja ou de quanto conhecimento bíblico eu tenho. Ofensa é ofensa. E eu ter a vida interia dentro de lideranças de igreja, não quer dizer que eu não precise de cuidados, que eu não passe momentos dificeis e muito menos que eu seja obrigada a aceitar e não me onfender com desaforos.
- Eu acho o cúmulo da hipocrisia quem vem falar "toma cuidado com suas palavras" e "Deus tá vendo o que você tá fazendo" só porque eu estou no meu direito de falar contra uma atitude incorreta que precisa ser confrontada pra que não afete mais pessoas. O próprio JESUS nunca deixou barato hipocrisia, preconceito, pré-julgamento, exclusôes e farisaismo dentro da igreja e sempre quebrou o pau em todas as ocasiões.
- Igreja não tem que ser um lugar pra gente ir mascarado, mas um lugar pra que possamos ser como somos de verdade, a igreja tem o papel de ser o único lugar onde podemos ir de cara lavada, como é mencionado na bíblia naquela esquecida frase que diz "venha como estás".
- Eu faço questão de ir mais, digamos, "bem comprortada" em algumas igrejas tradicionais para evitar desconfortos, mas em uma igreja que prega a liberdade de expressão e uma visão revolucionária que aceita as pessoas como elas são, eu acho que uma "capa santa" é desnecessária.
- Não me venham com essa de "eu teno que ser um exemplo porque eu sou líder de 900 anos de crente" porque aquilo era um serviçõ público, nem culto era, acorda gente!
- Por ultimo, posto que não era um evento religioso e sim um evento de SERVIÇO PÚBLICO, eu posso ir do jeito que eu quiser. Se por acaso um travesti ou uma prostituta entrassem lá dentro para sondar um político sobre suas intenções e manifestar seus direitos, eles também seriam barrados por "desrespeitar os irmãos"? Ou os "irmãos" só olham com maldade pra quem é da igreja?

Bom, analisem agora suas opiniões e o que é igreja pra vocês.
Lugar de máscaras ou do "venha como estás"?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Á minha mãe, Wânia Magnino Cardoso


Confluência talvez seja a palavra certa para descrever essa pessoa que tanto tenta se descrever em parágrafos.
Pérolas e tatuagens.
Caberia em duas mulheres de Cazuza: Mulher Vermelha e Menina Mimada.
Talvez sua condição de perdigree ainda te faz temer soltar sua alma de vira-lata que por tantas vezes saiu livre e fez notícia, ainda que com um pé atrás.
Seja em morro, na rua, em um hotel 5 estrelas, em chão batido ou de mármore, o salto está lá.
Bíblias e Rod Stewart, mãe coruja e eterna adolescente.
Confluência em salto alto.

Parabéns pela mais confluente estréia que ocorreu em 1964

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Metades


Eduardo Baszczyn

Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim.

Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo.

Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade.

Há muito, eu erro a mão. A dose. Me confundo com o que devo usar. Porque metade briga. Explode. Dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro.

Metade berra. Outra sussurra.
Tenho uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado.
Tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade.
Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha.
Metade auto-suficiente.


Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco.

Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria.

Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Outra história decadente do Evangelho da Prosperidade

O evangelho da prosperidade from iPródigo on Vimeo.



Eu poderia colocar a culpa na igreja corrompida exclusivamente no fato de um dia a igreja americana ter colocado as mãos nos conceitos luteranos, mas percebo que a disseminação do evangelho da prosperidade é uma questão que vai além de cultura ou antropologia, é questão de caráter.
Vejo os efeitos desse evangelho falho como uma manipulação psicológica que reflete na cultura mundial.
Nos países baixos como em muitos do continente africano, é inegável o crescimento das teorias da prosperidade em uma velocidade muito maior que em países de primeiro mundo, tudo isso devido a um falso caminho de esperança com vários pedágios no decorrer da estrada. Quando se vê os filhos com a barriga inchada por desnutrição enquanto sua dispensa está vazia e sabe que seus netos tendem a sofrer a mesma miséria, qualquer suposta "solução" em meio ao desespero é válida. Se alguém promete que seus filhos nunca mais vão sofrer e você nunca mais vai ficar uma semana se comer, e tudo com a garantia de um suposto "Deus", porque não acreditar? Porque não tentar ter essa esperança depois de já ter perdido tanto? Uma esperança falsa muito bem apresentada por casos isolados de testemunhos bem-sucedidos e contos mirabolantes de ex-miseráveis que agora possuem uma BMW em suas garagens. Junto a estas demonstrações de "riqueza pela fé", há manifestações de milagres e experiências supostamente divinas com Deus, que confortam ainda mais o psicológico dos futuros seguidores do Evangelho da Prosperidade.
Não acredito que toda manifestação espiritual nesses momentos seja falsa, porque só Deus sabe onde o coração de cada pessoa está naquele momento de clemência e eu creio em um Deus que se manifesta e conforta das mais diversas formas, mas jamais essa manifestação está presa a um "homem-testemunho ambulante", mas no coração que chora de cada pessoa que está puramente buscando um socorro, um suspiro final para suas vidas.
Minha vontade ao ver cenas de africanos entregando notas de dollar que poderiam alimentar seus filhos em troca de uma promessa humana com um falso carimbo divino, é de abraçar aquelas pessoas e falar que Deus é misericordia e graça, pra que peguem seu dinheiro de volta, comprem comida para seus filhos e acreditem em um Deus que conforta e ama independente de circunstancia, com uma graça literalmente gratuita adquirida em uma cruz a mais de 2000 anos atrás, um Deus que o papel não é dar uma BMW, mas que oferece alegria plena mesmo em meio a maior das misérias, uma prosperidade que vem de dentro pra fora e não de fora pra dentro. O verdadeiro sentido da palavra prosperidade, atribuída a José em Gênesis quando ele estava em um cárcere, longe dos privilégios considerados bênçãos por estes decadentes pregadores.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Razão

Tenho uma ternura enorme por você — e para mim é muito difícil isolar essa ternura da razão. Mas de jeito nenhum quero, sei lá, ser irresponsável ou não medir as conseqüências dum negócio que pode ser muito sério.

Mas a verdade é que ainda não quero me prender a nada, a nenhum lugar, a ninguém — a não ser que isso pinte com muita força.
Tenho planos, claro (todo mundo tem). Mas objetivamente estou sem nada aqui à minha frente. O momento futuro é uma incógnita absoluta.

Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. Dar um rolé em cima disso não vai ser nada fácil. E as marcas ficarão — tatuagens.

Procurei um rótulo para pacificar o sentimento, mas não o encontrei.
Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo

Ando sentindo umas coisas que não entendo direito. Não gosto de não entender o que sinto. Não gosto de lidar com o que não conheço. Além disso, sou terrivelmente instável e entender as minhas reações é coisa que às vezes nem eu mesma consigo.


(trechos de Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Falso - Colligere

Você vai ouvir se eu te trouxer velhas coisas pra dizer de outra forma?
Tão nova quanto posso negar o passado...
Tento carregar o peso das palavras,
Trago aqui as idéias que me formaram,mas esta forma também pode criar novas escolhas.
Lendo os fatos, produzo conseqüências.
Posso criar uma nova leitura
E o verbo então se fará carne ou toda pele será como
espelho?
E a paixão de um novo modo pode brilhar sobre essas
palavras gastas?
Toque de novo, toque o refrão da música
que diz tudo o que você pensa
Estrago aqui as idéias que me formaram
Se mudar meu jeito de falar, você vai ouvir?


Colligere

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais uma carta de um profeta ferido

De todos estes porquês latejantes e incessantes que me fuzilam nos últimos dias, o que mais queima é a ânsia de querer entender porque as mãos que eu tanto precisava pra me levantar só estão me jogando pedras mais doloridas do que o tombo que eu levei.

A mesma mão que eu só queria que me desse um impulso para que eu ficasse de pé, deu um tapinha nas minhas costas e então escutei friamente: "não se aproxime de mim, não posso me assentar na mesa dos escarnecedores".
Me lembrei então, que quando eu me encaixava aos padrões bem formatados da instituíção "igreja", eu havia socorrido aquela mão que me deu aquele tapinha nas costas e que doeu mais do que um soco.

Tudo que eu que eu queria era que dentro do corpo que deveria ter o nome de igreja, receber os abraços que tenho recebido nas ruas. Eu queria encontrar ali mais alegria do que em garrafas.
Não quero mais escutar estes julgamentos cegos e surdos, não quero mais meus próprios erros (nos quais estou cansada de saber quais são) jogados na minha cara com aquela desculpa batida de que "eu tenho que encarar a verdade", se esqueceram que é a décima vez que vocês repetem a mesma coisa? Não quero escutar mais coisas que eu nem se quer fiz, suposições tão injustas baseada em imagens semelhantes ás travas dos olhos de quem me condena. Eu só queria amigos, irmãos, sustentos. Mas a mão que deveria me por de pé só me apunhala. E que gosto eu tenho de estar em meio á um tribunal tão sufocante?
É tão incrivel como supostos irmãos se tranformaram em frios juízes.

Vocês nem se quer me perguntaram antes de divulgar notícias tão decadentes de vidas que não são as suas. Vocês nem conheceram antes de traduzir o coração alheio de acordo com seus próprios achômetros falsos. Vocês colocam vendas nos meus olhos que cada vez mais me impedem de ver a Deus.
Vocês me sufocam num dicreto golpe farisáico.

Me sinto imóvel sem saber o que fazer com que essas línguas me afastem ainda mais de onde eu deveria estar.
Me sinto sendo expurgada do corpo pelo próprio corpo. Será que ninguém pensa que qualquer parte misúscula do organismo faz falta?

Sim, decadente igreja, eu só gostaria de ter irmãos, "irmão", essa palavra que vocês tanto gostam de falar sem nem saber o sentido. Eu queria que vocês fossem aqueles que eu poderia contar tudo sem ter que passar por um descrédito seguido de um descarte que me tornaria realmente inútil no lugar onde eu mais precisava agir. Eu queria que vocês fossem aqueles que sorrissem comigo.

Me fere essa falta de gosto por estar onde eu deveria, mas o que me resta?
Não quero mais passar por uma espécie de batida policial cada vez que eu chegar perto de "santos" e nem ser revistada na porta do culto. Não quero mais me lembrar daquele olhar insuportável de pastores que decidiram não ir com a minha cara, eles deveriam ser literais pastores, os que cuidam de mim, mas estão sendo lobos. Como posso confiar?

Diante de tudo isso, declaro meu estado de profeta ferido e imóvel. Sedento por ser útil, sedento por ser fixado, reparado e voltar a funcionar.
Será que ainda restam os reparadores?

ESCUTANDO:
> Entre o céu e o inferno

> Manobristas de Homens

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ice Cube Heart?

Mais uma só com trechos de Caio Fernando Abreu


Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é...
É esquisito, mas sempre orientei minha vida nesse sentido — o de não ter laços, o da independência, de poder cair fora na hora que quisesse.

Por não querer mais depositar esperanças em nada que pudesse vir de fora, já que de dentro nada mais viria, estava certo...
O maior medo era o destemor que sentia. Íntegro, sem mágoas nem carências ou expectativas. Inteiro, sem memórias nem fantasias.
Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados.
É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.

Como se seu corpo fosse apenas a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos, olhos fixos na distância.
Mas também não vou te obrigar a ficar. Vou entrar na onda de ser moderninha. Independente. Fria.
O essencial sempre ficara no fundo, esmagado pela superficialidade.

Creio que o motivo pela esperança de que a luz e o calor pudessem amenizar a dor e secar as feridas, aproximei-me lentamente do fogo
No meio da fuga, você aconteceu.

Parece dificil de enxergar que insistir nisso é perda de tempo, é perda de vida em uma causa perdida.
Tão instáveis, hoje aqui, amanhã ali.

Me vem o medo de estar agindo errado, de estar gerando feições horríveis, que mais tarde não sairão com facilidade.
É preciso sim ser biônica, atômica, supersônica, eletrônica, vocês pensam que eu sou de ferro?
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim.